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domingo, janeiro 13, 2013

Filme incompleto de Orson Welles, pode ser finalizado

Direitos sobre o material bruto estão em negociação em Los Angeles


The Other Side of the Wind, um dos últimos filmes de Orson Welles, rodado em 1972 mas nunca lançado, pode ver a luz da sala de projeção. Um advogado de Los Angeles disse ao jornal The Observer que a longa disputa judicial que impedia a estreia está para terminar.

"Nós estamos negociando os direitos sobre o filme, o que deve levar à finalização e à exibição pública. Se tudo der certo, saberemos com certeza nas próximas semanas", disse o advogado Kenneth Sidle.

Sidle representa Jacqueline Boushehri, viúva de um parente do Xá do Iraque e uma das produtoras do filme. Outra detentora dos direitos parciais, Oja Kodar, amante de Welles, também participa das negociações. Ambas estão interessadas em vender as suas partes, e os potenciais compradores já confirmaram que o filme está em condições de ser montado e lançado.

"Eles não colocariam dinheiro se não estivessem cientes disso",
emenda o advogado.

The Other Side of the Wind conta as últimas horas da vida de um diretor, interpretado pelo também cineasta John Huston. "É um filme sobre um diretor bastardo, cheio de si, que pega pessoas, as cria e as destrói. É sobre nós, John", teria dito Welles na época.

A versão que há anos está guardada em um cofre é bruta. Peter Bogdanovich, crítico, ensaista, ator e diretor que aparece em The Other Side of the Wind, teria recebido de Welles anotações para a montagem. Bogdanovich é um dos profissionais envolvidos na tentativa de finalizar o filme. Há, porém, aqueles que se opõem à manipulação do material.

Françoise Widhoff, produtora do F for Fake de Welles, que esteve presente no set, prefere que todo o material bruto seja trazido a público. "O jeito como foi filmado, como foi atuado. É muito moderno e livre", disse ela. Segundo o filho de Huston, o ator Danny Huston, o material é "absolutamente fascinante".

sexta-feira, outubro 23, 2009

Conexão Vivo Animações - inscrições prorrogadas

As suas chances de criar um videoclipe de animação foram ampliadas

Conexão Vivo Animações – inscrições prorrogadas até o dia 7 de novembro. Participe, crie um videoclipe de animação e ainda concorra a prêmios da Associação Brasileira de Cinema de Animação e votação popular. E fique de olho no nosso @conexaovivo. Promoções vão rolar no Dia Internacional da Animação.

Animadores interessados em fazer um videoclipe de animação de músicos e bandas independentes de todo o Brasil podem se inscrever no Conexão Vivo Animações até 7 de novembro. O edital irá selecionar 12 animadores que receberão um subsídio para a produção e ainda concorrerão aos prêmios da Associação Brasileira de Cinema de Animação e Votação Popular. O valor total das premiações é de R$103 mil. Para se inscrever, os candidatos devem criar um perfil no portal do Conexão Vivo e postar duas obras de animação com duração mínima de 30"(trinta segundos). As obras não precisam ser inéditas e já podem ter participado de outros editais, festivais e premiações, mas tem de ser obrigatoriamente de autoria ou co-autoria do candidato. Somente será permitida uma inscrição por perfil/grupo.

A avaliação e seleção das obras passarão pelo crivo de uma comissão formada por um Júri Especializado, composto por Carlos Merigo e Bruna Calheiros, editores do Smelly Cat, blog nacional especializado em cinema de animação, e pelo Júri Conexão, formado pelos músicos/bandas classificados do Conexão Vivo.

Para conhecer as músicas que serão animadas, entre no E-álbum do Conexão Vivo no endereço www.conexaovivo.com.br/e-album. Aproveite e acesse também os perfis dos músicos/bandas. Além das músicas, está disponível na E-álbum o resultado da primeira edição do projeto – o DVD Conexão Vivo Animações 2008.

Dia Internacional da Animação

O Conexão Vivo Animações comemora o DIA com promoções para animadores e divulgação de animações históricas e inusitadas. Acompanhe nosso @conexaovivo.



Informações
animacoes@conexaovivo.com.br
www.conexãovivo.com.br/animacao
31. 3284.0709

Joyce Athiê
Assistente de Comunicação
55 31 3284.0709
joyce@criacultura.com.br
Cria! Cultura
Tel/Fax: 55 31 3284.0709

Rua Camões, 133 | Bairro São Lucas
Belo Horizonte | MG | Brasil | CEP 30240-270

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Christiane F. hoje

Christiane F.: aos 46 anos, mídia alemã relata sua volta às drogas

 
Em setembro de 1978, revista alemã "Stern" abalava a nação com reportagem sobre a vida de Christiane Vera Felscherinow. Trinta anos depois, mídia alemã informa que Christiane F. voltou às drogas e perdeu guarda do filho.

 

Reportagem da revista 'Stern' abalou o país

 
Em fevereiro de 1978, uma das testemunhas de um processo judicial contra um homem de negócios que pagava prostitutas juvenis com heroína, em Berlim, chamou a atenção dos jornalistas da revista Stern Kai Hermann e Horst Rieck. "Ela era uma menina extremamente inteligente", declarou Hermann anos mais tarde.

Os jornalistas logo notaram o precioso material que tinham em mãos. Uma tarde de entrevistas transformou-se em dois meses de pesquisas, gravações e visitas a locais habitados pelo vício, pelo tráfico e pela prostituição.

Em fins de setembro do mesmo ano, a revista Stern publicava a reportagem e o livro que abalaram toda uma nação: Christiane F. - Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, título traduzido no Brasil como Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída.

Christiane Felscherinow tinha somente 15 anos ao ser entrevistada pelos repórteres, mas também tinha muita coisa para contar, e o fez minuciosamente. Traduzido para 15 línguas, o livro virou best-seller em mais de 30 países. Em abril de 1981, estreava o filme homônimo dirigido por Ulrich Edel, estrelado por Natja Brunckhorst no papel de Christiane, com a participação de David Bowie. Sua música Heroes tornou-se, praticamente, a canção-tema do filme.

Com a idade certa, na hora certa e na cidade certa, Christine F. tornou-se uma heroína. Ela deu rosto a uma geração pós-hippie e pré-niilista, que procurava nas drogas acalanto para seu desamparo familiar e social. Hoje, aos 46 anos, Christiane Felscherinow voltou às manchetes da mídia. E é a mesma revista Stern que informa sobre sua volta às drogas e a perda da guarda de seu filho.

Com a atenção desviada pela Guerra Fria e pelo terrorismo da RAF, a sociedade alemã dos fins dos anos 70 ficou bastante abalada ao saber da existência de crianças como Christiane F.: aos 12 anos de idade, já fumava haxixe. Aos 13 anos, tomou seu primeiro "pico" de heroína. Aos 14, prostituía-se para pagar o vício. Aos 6 anos de idade, Christiane mudou-se do norte da Alemanha para Berlim, onde morava em Gropiusstadt, colosso habitacional proletário de 18,5 mil moradias no bairro de Neukölln.


Com a separação dos pais, sua segunda casa logo se tornou a Bahnhof Zoo, ou estação ferroviária do Jardim Zoológico, lugar de encontro de traficantes e adolescentes que se prostituíam para financiar o vício. Além de haxixe e LSD, a heroína era a droga do momento.

Se hoje um "pico" de heroína pode ser comprado por 10 euros no novo ponto berlinense de encontro de viciados e traficantes – a estação de metrô de Kottbusser Tor em Kreuzberg, "Kotti" para os íntimos – há 30 anos a situação era bem diferente. A mesada não bastava. Aos 14 anos, Christiane se prostituiu e também viu como seus amigos morriam um após o outro. 

O livro e o filme homônimo sobre a vida da adolescente que revelou a miséria das grandes cidades alemãs ganhou o mundo e tornou-se leitura obrigatória nas escolas. No final, após tentativa de suicídio, Christiane foi enviada por sua mãe para morar com a avó numa cidadezinha perto de Hamburgo, onde se recuperou.



"Viciados se atraem"
 Natja Brunckhorst no papel de Christiane F.

 
No entanto, o final feliz mostrado tanto no livro como no filme não durou para sempre. Ao atingir a maioridade, no início dos anos 80, Christiane mudou-se para Hamburgo, onde participou da cena punk. Juntamente com seu novo companheiro, Alexander Hacke, guitarrista da banda alemã Einstürzende Neubauten, Christiane iniciou carreira de cantora, participando também de alguns filmes como atriz. Fez turnê pelos EUA e conheceu gente famosa como Nina Hagen. Sem sucesso, ela voltou às drogas.
 

Com 400 mil marcos [cerca de 200 mil euros] provenientes do seu livro para reiniciar a vida, ela foi acolhida por uma família de editores suíços. No entanto, Christiane logo se cansou de ser "uma boneca para mostrar", como declarou a um jornal suíço. Enquanto celebridades como Friedrich Dürrenmatt e Federico Fellini circulavam por sua nova casa, Christiane procurava drogas na estação ferroviária central de Zurique.

De volta a Berlim, ela foi presa com drogas pela polícia, tendo que passar dez meses na prisão. Passado este período, Christiane F. conheceu um novo amor, mudando-se com ele para a Grécia em 1987, onde viveu até 1993. O antigo pastor também era viciado em heroína. "Viciados se atraem", declarou Christiane à revista Stern.

Volta às drogas
 Kai Hermann ainda se encontra com Christiane F.
 
Depois de várias terapias, Christiane voltou para a Alemanha em 1993. Três anos mais tarde, teve um filho de um homem que conheceu num programa de tratamento de viciados com o medicamento Metadon. Num programa da TV alemã, no ano passado, ela declarou que há 15 anos não tomava mais drogas, mas precisava de uma dose diária do analgésico usado no tratamento de dependentes de heroína. Seu filho era seu seguro de vida, afirmou.
 

Nos últimos anos, Christiane e seu filho moraram em Teltow, pequena cidade do estado de Brandemburgo, próxima a Berlim. Seu livro e filme ainda lhe rendem 20 mil euros anuais, de forma que não precisa trabalhar. Conheceu um novo amor e, de um dia para outro, buscou o filho na escola para levá-lo para Amsterdã junto com o novo namorado. O juizado de menores interveio e retirou-lhe o filho à força.

Segundo a Stern, ela teria sido vista recentemente na região de Kottbusser Tor, à procura de drogas, informação ainda não confirmada pela polícia, acresceu a revista. O certo é que Christiane Felscherinow perdeu a guarda de seu filho nascido em 1996. "Ela não pode mais responder pela educação e pelo cuidado da criança", informou o juizado de menores de Potsdam-Mittlemark. Tudo indica que o menino ficará sob os cuidados da avó, como outrora o foi Christiane.
 
Carlos Albuquerque

sexta-feira, abril 04, 2008

Mais de 60% dos filmes mudos se perderam na Alemanha

Mais de 60% dos filmes mudos se perderam na Alemanha da Deutsche Welle, na Alemanha
 
Mais de 60% dos filmes mudos alemães se perderam, até mesmo filmes de diretores conhecidos como Friedrich Wilhelm Murnau. Na Alemanha, dita a lei que toda música gravada no país tem que ser
arquivada.

DW

quinta-feira, abril 03, 2008

Formação de Público de cinema em São Paulo

Programa fomenta formação de público de cinema em São Paulo

Lançado no segundo semestre de 2007 em 30 cidades do interior do estado
de São Paulo, o programa Vá ao Cinema chega à capital no dia 17 de
abril. Trata-se de uma forma de fomento criada pela Secretaria de
Cultura do Estado de São Paulo voltada ao público, e não à produção. "A
proposta surgiu a partir do diagnóstico de que boa parte dos filmes
brasileiros não é vista", explica o secretário João Sayad. A secretaria
paga aos exibidores R$ 3 por ingresso, que é válido apenas para sessões
de filmes brasileiros inéditos na localidade. "O filme 'Chega de
Saudade' terá seu lançamento adiantado em alguns municípios por conta
do programa", afirma Sayad. A primeira região a ser atendida na capital
será a Zona Sul. Serão distribuídos, a partir do dia 14, ingressos em
escolas públicas situadas num raio de 1 km em torno dos cinemas
Morumbi, Market Place, SP Market, Jardim Sul, Interlagos e Fiesta.

Somente os alunos que se interessarem pegam os ingressos, podendo pegar
até dois ingressos. "A fiscalização é propositalmente fraca", diz
Sayad. "Se o aluno quiser dar seus ingressos para os pais ou ainda
pedir outro par, provavelmente será atendido".

Serão distribuídos gratuitamente 120 mil vale-ingressos nos primeiros
45 dias do programa. Depois o programa continuará em outras regiões
cinematográficas que ainda estão sendo definidas. O programa continua
na capital até o final do ano com a previsão de distribuição de 800 mil
ingressos. No estado, a distribuição deve chegar a 2,5 milhões de
ingressos. "O público de cinema brasileiro no estado é de 5 milhões",
diz Sayad. Em março, 92% dos ingressos distribuídos foram utilizados.
Uma projeção desta aceitação para todo o ano leva a crer que o programa
pode duplicar a presença de público no estado. "É uma forma de dar
oportunidade às pessoas de baixa renda. O preço do ingresso barra pelo
menos 50% da população do Estado de São Paulo", finaliza o secretário
João Sayad.

fonte: Fernando Lauterjung - TELA VIVA News

sábado, março 17, 2007

golpe da TV a cabo!

OUSADIA E CRIATIVIDADE.

A criatividade dos nossos marginais chega às alturas. Agora,
principalmente em SP e RJ, estão enviando pelo correio, uma carta com
papel timbrado da NET, TVA, SKY, Directv ou outro qualquer canal de TV
por assinatura. Na carta, que por sinal é muito bem elaborada, dizem
que estão modernizando a sua tecnologia e que será necessária a
substituição de equipamento dentro da casa do assinante. Eles colocam
um número de um telefone (de um compararsa) para o agendamento. Se a
pessoa não conhece o golpe e (não resolve) telefonar para o verdadeiro
número da Operadora de TV, para confirmar se isto procede mesmo.Os
marginais praticam o assalto em sua residência com hora marcada, e com
você abrindo a porta e servindo um cafézinho. Viram aonde chegou a
ousadia dos bandidos? As próprias vítimas marcam o dia em que sua
residência vai ser assaltada! Por favor, passem aos seus amigos, tenham
eles NET, TVA, SKY, Directv ou outro qualquer canal de TV por
assinatura, para que eles passem adiante esta mensagem. E se receberem
qualquer carta, confirmem com telefone que consta na sua fatura mensal
, nunca com número de telefone de cartas comuns.

terça-feira, março 06, 2007

CLIPES

Ótimo clipe grotesco do grupo The Dandy Warhols, dirigido pelo
fotógrafo David La Chapelle. O refrão diz: "Nunca imaginei que você
fosse um junkie, porque heroína é tão passée!...".
http://www.youtube.com/watch?v=gkKEYVVjj_c&mode=related&search=
 
Tower of Sound de Leonard Cohen é o máximo, aqui com uma fala de Cohen,
arrasando a bandeira do pacifismo na Noruega.
http://www.youtube.com/watch?v=7cw6_692bQU&mode=related&search=
 
Um jovem Leonard Cohen cantando Hallelujah com um coral alemão.
http://www.youtube.com/watch?v=rf36v0epfmI&mode=related&search=
 
Um dos meus favoritos dos anos 1980: Liza Minelli cantando Loosing My
Mind.
http://www.youtube.com/watch?v=pkdKhPHYbiU
 
E claro, Libertango com Grace Jones...
http://www.youtube.com/watch?v=S-PbttjxrIU&mode=related&search=
 
E, recuando mais no tempo, Elvis cantando I can't help falling in love
with you.
http://www.youtube.com/watch?v=wsimsjE89eY
 
Bizarro: o clipe original de Space Oddity com David Bowie.
http://www.youtube.com/watch?v=D67kmFzSh_o&mode=related&search=
 
Luiz Nazario
 

segunda-feira, março 05, 2007

Por trás do filme Borat

BORAT NÃO RENOVA NADA, SÓ JOGA MAIS LAMA NA LAMA. É SIMPLESMENTE UM COMEDIANTE JUDEU VULGAR E SEM CULTURA, ATORMENTADO PELO ANTI-SEMITISMO, MAS TÃO EGOCÊNTRICO, VAIDOSO E NARCISISTA QUE SUA PERSONALIDADE FALASTRONA ENCONTROU UMA SAÍDA NA EXPLORAÇÃO DA HOMOFOBIA E DO ANTI-SEMITISMO NUM MUNDO HOMOFÓBICO E ANTI-SEMITA PARA PODER SER, COMO DESEJAVA, RICO, FAMOSO E QUERIDO POR TODOS, GAYS OU HETEROS, FILOSEMITAS OU ANTI-SEMITAS... MAS NÃO PARA CIMA DE MOI...
Luiz Nazario

sexta-feira, março 02, 2007

Mostra de filmes neo-realismo raros

OLHARES NEO-REALISTAS

O neo-realismo é um dos mais importantes movimentos da história do cinema, surgido na Itália, no final da segunda grande guerra, influenciou outros gêneros e cinematografias como a nouvelle vague francesa, o free cinema inglês e o cinema novo brasileiro. Preocupado em mostrar a realidade do povo, aboliu o uso de estúdios e passou a usar locações e muitas vezes atores não profissionais, contrapondo-se aos filmes escapistas realizados durante o regime fascista.

A retrospectiva, com algumas obras seminais do movimento, é parte da mostra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília e São Paulo, constituindo uma ótima oportunidade ao público carioca para ver ou rever filmes filiados ao neo-realismo.

A Mostra "Olhares neo-realistas" , na Cinemateca do MAM (Rio de Janeiro), com a exibição de Alameda da Saudade, 113 (1951, direção de Carlos Ortiz), no Cineclube Tela Brasilis. Esta é a última exibição desta cópia, que foi feita para o lançamento do filme, na década de 1950. Diversos filmes da mostra também são raríssimos e vêm de cinematecas italianas, sendo essas suas últimas exibições no Brasil (com legendagem eletrônica em português). Destaque especial para O Posto e O Sol ainda se levantará, recém-restaurados. A programação completa da mostra e o texto da sessão do Tela Brasilis segue abaixo.


qui 01

18h30 – Tela Brasilis –

Alameda da Saudade 113, de Carlos Ortiz, 1951.
O Tela Brasilis faz a sua contribuição à mostra Olhares neo-realistas apresentando um raríssimo filme do que ficou conhecido como o cinema independente dos anos 50, realizando na mesma época das grandes produções da Vera Cruz e antecedente vital do Cinema Novo. O filme trata-se de uma história de amor entre os dois protagonistas, Inês e Raul, que não respeita as fronteiras entre a vida e a morte.



sex 02

18h30 – Olhares neo-realistas –

Ladrões de bicicleta (Ladri di Biciclette) de Vittorio De Sica. Itália, 1948.
Com Enzo Stajola, Lamberto Maggiorani, Lianella Carell. 92'. Cópia em DVD.
Obra-prima do neo-realismo. Desempregado tem sua bicicleta roubada no primeiro dia de trabalho. Sem ela, perderá o emprego.



sab 03

16h – Olhares neo-realistas –

O Posto (Il Posto) de Ermanno Olmi. Itália, 1961.
Com Loredana Detto, Tullio Kezich, Sandro Panseri.
Versão original . 90’.
Cópia restaurada pela Cinemateca de Bolonha. Legendas eletrônicas em português.
Jovem morador de bairro pobre de Milão sai à procura de primeiro emprego.


18h – Olhares neo-realistas –

O Sol ainda se levantará (Il sole sorge ancora) de Aldo Vergano. Itália, 1946.
Com Principal Elli Parvo, Lea Padovani, Vittorio Duse. Versão original. 90’.
Cópia restaurada pela Cinemateca de Bolonha. Legendas eletrônicas em português.
Conflitos entre italianos e alemães em um povoado no norte do país, em 1943, tratado sob o ponto de vista marxista. Primeiro filme a investigar a composição classista da Itália ocupada.



dom 04

16h – Olhares neo-realistas –

Noites de Cabíria (Le Notti di Cabiria) de Federico Fellini. Itália, 1957.
Com Giulietta Masina, François Perrier, Amedeo Nazzari.
Legendas em português. 110’.
A vida e os sonhos de Cabíria, prostituta romana que é obrigada a viver na marginalidade. Oscar de melhor filme estrangeiro.


18h – Olhares neo-realistas –

Morte de um ciclista (Muerte de un ciclista) de Juan Antonio Bardem. Espanha/Itália, 1955.
Lucía Bosé, Alberto Closas, Bruna Corrá. Versão original. 88’.
Legendas eletrônicas em português.
A conscientização de um professor universitário adúltero com o advento de uma nova geração, depois da Guerra Civil. Um dos maiores sucessos do cinema espanhol no exterior.



sex 09

18h30 – Olhares neo-realistas –

A Batalha de Argel (La Battaglia del Algeri) de Gillo Pontecorvo. Itália/Argélia, 1966.
Com Brahim Hadjadj, Jean Martin, Yacef Saadi. Legendas em português. 121’.
A luta dos argelinos pela independência. Leão de Ouro no Festival de Veneza.



sab 10

16h – Olhares neo-realistas –

Aniki Bobó de Manoel de Oliveira. Portugal, 1942.
Com Américo Botelho, Feliciano David, Manuel de Azevedo. 70’.
O título se refere a uma brincadeira de criança num bairro modesto da cidade do Porto, nesta crônica prenunciadora do neo-realismo.


18h – Olhares neo-realistas –

O Teto (Il Tetto) de Vittorio de Sica. Itália, 1956.
Com Giorgio Listuzzi, Gabriella Pallotta, Angelo Bigioni.
Legendas em português. 91’.
No pós-guerra italiano, um jovem casal decide construir uma casa num terreno baldio da prefeitura. Para não serem expulsos, terão de erguê-la numa única noite e instalar o teto antes que amanheça.



dom 11

16h – Olhares neo-realistas –

Mamma Roma (Mamma Roma) de Pier Paolo Pasolini. Itália, 1962.
Com Anna Magnani, Ettore Garofofo, Franco Citti.
Legendas em português. 106’.
Mulher de meia idade abandona a prostituição para vender frutas e cuidar de seu filho adolescente. Sonha para ele uma boa posição na vida, mas o rapaz está envolvido com a delinqüência juvenil.


18h – Olhares neo-realistas –

O Verdugo (El Verdugo) de Luis Garcia Berlanga. Espanha/Itália, 1963.
Com Nino Manfredi, Emma Penella, José Isbert.
Versão original sem legendas. 87’.
O empregado de um serviço fúnebre se envolve com a filha de um verdugo. Uma das obras-primas do cinema espanhol em geral e de Berlanga em particular.


Cineclube Tela Brasilis
Cinemateca do MAM
Av. Infante D. Henrique, 85, Praia do Flamengo - Rio de Janeiro
Entrada Franca

Mostra Olhares neo-realistas
(21) 2221-8062 / 9376-9682
mostraneorealismo@gmail.com


...

Alameda da Saudade

ALAMEDA DA SAUDADE 113
por Rafael de Luna


Não foi como diretor de dois longas-metragens que Carlos Ortiz entrou para a história do cinema brasileiro. Isso se deveu, provavelmente, não por uma importância menor de seu lado cineasta, e sim pelo destaque que teve sua atuação fora dos sets de filmagem.

Ao longo dos anos 1950 Ortiz colaborou na revista Fundamentos – ligada ao Partido Comunista Brasileiro –, teve participações fundamental no I Congresso Paulista do Cinema Brasileiro e no I Congresso Nacional do Cinema Brasileiro, ambos em 1952, e escreveu livros como pioneiros manuais de cinema (como Argumento cinematográfico e sua técnica, 1949) e precursores de uma história do cinema brasileiro (Romance do gato preto, 1952). Além disso, foi professor e crítico de cinema durante muitos anos. Sua produção na imprensa já foi pesquisada por Carlos Berriel no livro Carlos Ortiz e o cinema brasileiro na década de 50 (1981), onde fica claro seu papel fundamental, por exemplo, num debate de viés econômico sobre o cinema brasileiro.

Entretanto, os dois filmes dirigidos por Carlos Ortiz – Alameda da Saudade 113 (1951) e Luzes nas sombras (1953) – jamais despertaram o mesmo interesse. Nesta segunda sessão de 2007 do cineclube Tela Brasilis, tentaremos contornar um pouco esse equívoco exibindo o primeiro filme de Carlos Ortiz como nossa colaboração para a mostra “Olhares Neo-realistas” a ser exibida na Cinemateca do MAM em março.

Pode-se talvez creditar o desinteresse por Alameda da Saudade 113 pelo fato de que o filme, diferentemente de Rio 40 graus, por exemplo, não tenha representado uma concretização tão clara – e brilhante – dos anseios daqueles que desejavam aquilo que ficou conhecido como “cinema independente dos anos 50”. Apesar de contraditórias, como já apontou Maria Rita Galvão, essas idéias vinham sendo desenvolvidas ainda durante a voga do ideal de cinema da Vera Cruz, e pregava, grosso modo, um cinema realista, de qualidade técnica e “seriedade” na abordagem (diferentemente das “grossuras mal-feitas” das chanchadas), realizado fora dos estúdios e com temática nacional. É uma questão interessante pensar como Alameda da Saudade 113 se encaixa num momento inicial de gestação desses anseios, compartilhados pelo seu próprio diretor e argumentista.

O filme se inicia num cemitério na cidade de Santos, para onde ele retornará em seu final. Um forasteiro se aproxima de um coveiro e este começa a lhe contar a trágica e conhecida história de amor de Inês (Sônia Coelho) e Rui (Rubens de Queiroz), dando início ao flashback que ocupará praticamente todo o filme. Resumidamente, Rui conhece uma bela moça num baile de carnaval e se apaixona perdidamente. O casal desfruta do arrebatador romance nos dias seguintes, mas Rui percebe que algo atormenta sua amada Inês – ela nunca permite que ele o deixe em casa e a visão de qualquer criança lhe provoca tormentos. Quando finalmente Inês concorda que ele vá em sua casa (no dia de seu aniversário), Rui encontra-se com Olga, mãe de sua namorada, que lhe diz que Inês, uma sensível poetisa, morreu dez anos antes. Inconformado, Rui se junta ao seu amor no além, diante de seu sepulcro cujo endereço é justamente o título do filme.

É uma grande curiosidade o filme enveredar por um tema metafísico – o amor além da morte – com uma seriedade incomum no cinema brasileiro (o tema tem servido principalmente a comédias, do Oscarito de Fantasma por acaso, ao Renato Aragão de Simão, o fantasma trapalhão). Trata-se de uma gênero – ou “sub-gênero” – que é geralmente associado exclusivamente ao cinema americano e que no Brasil só costuma ser tratado em tom de paródia e “defeitos especiais”. Podemos sugerir descompromissadamente que o filme de Ortiz é um parente distante de filmes de amor hollywoodianos que atravessam a barreira do tempo (Em algum lugar do passado) ou não respeitam os limites da vida e da morte (Ghost e Sexto Sentido).

Como uma espécie de melodrama espírita, Alameda da saudade 113 jamais, em momento algum, desvia de seu tom de extrema seriedade ou abre concessões para o humor, diferentemente de diversos outros exemplares mais conhecidos do chamado cinema independente, como Rio 40 graus, Agulha no palheiro ou O grande momento. Nesse sentido, devido a certa morbidez e tristeza latente, o filme de Ortiz se aproxima de um melodrama da Vera Cruz como o belo Floradas na serra, por exemplo.

Por outro lado, será que se pautando por questões universais – vida, morte, amor -, Alameda da saudade 113 se afasta dos temas genuinamente nacionais e, sobretudo, populares? Se num primeiro momento das discussões que permearam os anos 1950, a preocupação se dava menos com a forma e sobretudo com conteúdos e histórias nacionais, vale ressaltar que o filme se inspirou, como anunciam os letreiros iniciais, numa famosa história da cidade de Santos – um folclore moderno ou uma lenda urbana, pode-se dizer. Nos créditos há, inclusive, um agradecimento ao “povo santista” e ao “homem de rua”. Entretanto, dentro da diegese, onde está esse homem de rua?

Na verdade, percebe-se que os personagens e cenários principais do filme pertencem ao que há de mais belo na sociedade santista. Rui e Inês são jovens, brancos e belos (cujos perfis fotogênicos são explorados pela fotografia), que freqüentam bons restaurantes e saraus de poesia. Da cidade de Santos, se destaca a orla moderna e urbanizada (num retrato parecido com o que o cinema carioca geralmente fazia de Copacabana), enquanto numa visita à São Paulo, os personagens percorrem um belo parque. É nessa visita que se dá um momento interessante, quando Rui e Inês se vêem diante de um pregador religioso cercado por populares numa praça pública (lembrando uma cena de A falecida). A câmera se detém, demorada e repetidamente, nas faces daquelas pessoas, num misto de fascínio e interesse. Entretanto, como se nota no próprio enquadramento, o casal de protagonista está no meio da roda e aquelas pessoas não fazem mais do que compor um cenário.

Esses inserts dos populares se assemelham a outros de paisagens da praia, do mar ou de barcos, que podem ser associados a uma estética antropológica-jornalística de cinejornais. A bela e acadêmica fotografia de Alameda da Saudade 113, a cargo do ucraniano George Tamarski, se destaca pelo equilíbrio da composição fotográfica de luzes e sombras. Chama a atenção, nesse sentido, a grande quantidade de cenas externas (praia, parque, cemitério), fotografadas com notável controle da luminosidade. Não espanta o nome da produtora de cinejornais Divulgação Cinematográfica Bandeirante nos créditos do filme.

Por fim, outro elemento presente é uma reiteração através de simbolismos visuais que parecem remeter a uma tradição narrativa do cinema mudo (de permanência, por exemplo, nos filmes sonoros de Adhemar Gonzaga ou Humberto Mauro), ilustrando, por exemplo, a circularidade e a duplicidade da vida (nascimento e morte) através do reflexo na mesa e no lago, ou das figuras circulares e duplas na bóia na praia ou na pista de dança e nas mesas vazias do clube. Além disso, ao longo da narrativa surgem inúmeras "pistas" para o mistério do filme, através da constante repetição de frases que apontam para a particularidade do encontro do casal (o baile no “clube dos finados e refinados”, onde “até a morte vem dançar”) e do romance (a mensagem sorteada do realejo: “achaste seu novo amor, fiel e forte como a morte”).

Por todos os motivos, além de uma raridade do cinema brasileiro, Alameda da Saudade 113 é definitivamente um filme curioso e que em seus melhores momentos consegue alcançar a melancolia de um amor impossível.


Comunidade: www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1807860
Blog: www.telabrasilis.blogspot.com
Fotolog: www.fotolog.net/telabrasilis